sábado, 1 de abril de 2017

A PARCIALIDADE DA INDEPENDÊNCIA

No momento em que acreditamos sermos absolutamente independentes de quaisquer formas de ligações entre as atividades das quais desempenhamos ou julgamos que mantínhamos em certa predominância, abre-se uma possibilidade de reconhecimento sobre este fenômeno em questão. 
Em sociedade somos compreendidos por variados atributos e composições das quais pertencemos, porém, independentemente destas estruturas e configurações se caracterizam os contextos sobre as dependências humanas em formas generalizadas, por variáveis consequências advindas de nossas necessidades já destacadas por Freud em nosso campo psíquico por constituição, advindas por pulsões primitivas oriundas de nosso organismo constituinte.
“Se o trabalho consiste em uma atividade psicológica como o pensar, é perfeitamente legítimo, acreditava Freud, chamar essa forma de energia de energia psíquica. Segundo a doutrina de conservação da energia, ela pode ser transformada de um estado para outro, mas nunca se perde no sistema cósmico total. Disso decorre que a energia psíquica pode ser transformada em energia fisiológica e vice-versa.” (HALL, 2000).
Em concordância com esta perspectiva freudiana podemos alertar que todos nós seres humanos, somos absolutamente dependentes, dependentes da energia psíquica de si ou de externas estruturas para a mantenedora organização natural dos movimentos de vida, fora ou em enquanto membros de sociedades ou grupos.
Mesmo aquele que se intitula independente, poderá se mostrar assegurado de uma forma ou de outra, pelo auxílio e disposição que outrem movimenta em direção a si.

Assim como esta energia, que se mostra em constantes transformações, e antecede algo, neste contexto poderá surgir uma manobra e condizer uma imaginação, ou até um pensamento que posteriormente venha ser estruturado e levado a conclusão de criação de algo externo, como um objeto que poderá ser utilizado, e então manter ou contribuir para as necessidades de alguém.
A energia psíquica é um movimento que nos conduz em direção aos objetivos que inicialmente podem parecer pessoais, mais que, em certa escala de produtividade e por consequência atingiram pessoas, seja por auxílio no processo desta criatividade, ou pelo recebimento de quem consumirá essas produções em algum momento. 
Neste sentido, pela incapacidade de percepção deste contexto, digo as formas de dependência à qual todos nós humanos nos mantemo-nos vinculados, ainda que de formas impessoais, imperceptíveis ou indiretas, tendemos segmentar as partes, em um movimento de descaracterização ao todo a qual pertencemos, no sentido de entendimento, e por vezes coordenados por algo muito além de nossa própria percepção consciente, como um movimento natural de reação.

No momento em que sentimos responsáveis por aquilo que acreditamos e exercemos representações disso em direção ao mundo, vamos despertando a atenção da visão externa por estes vieses, em contribuição às novas experiências daqueles que futuramente estriam sujeitos, em um movimento real de total parcialidade.

HALL, C. Teorias da personalidade 4ª ed. Porto Alegre. Editora Artmed, 2000.



Pedro Volpato
Psicoterapeuta
Contato:
pedrovolpato.blog@gmail.com
17 98154-4941

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